Sobre concentração de volume e número de negócios na Bovespa, um interessante artigo do Estadão de segunda-feira, e um breve levantamento, utilizando o Cartezyan...
Cardápio está variado na Bovespa
Em um ano, cinco ações principais reduzem de 42% para 33% participação no volume financeiro dos negócios
Yolanda Fordelone, O Estado de São Paulo, 2 de novembro de 2009, página B4
A concentração dos negócios em um número restrito de empresas é uma marca da Bolsa de São Paulo. Mas, ainda que lentamente, essa realidade começa a mudar.
Empresas novatas, com capital aberto nos últimos três anos, passaram a disputar a atenção dos investidores, até então direcionada às ações tradicionais. Segundo dados da BM&FBovespa, em setembro do ano passado as cinco maiores empresas da Bolsa tinham participação de 42% no volume negociado à vista pelo lote padrão. Este grupo das "cinco grandes" é integrado atualmente por Petrobrás, Vale, Itaú Unibanco, BM&FBovespa e OGX. A concentração caiu para 33% em setembro passado. A mesma tendência é válida para as 10 e para as 20 maiores companhias da Bolsa. Atualmente, há 386 empresas listadas.
"Historicamente, poucas empresas dominam os negócios", observa o analista-chefe da XP Investimentos, Rossano Oltramari. Os setores de mineração, petróleo e siderurgia respondem por quase 45% da carteira do índice. "Com o desenvolvimento do mercado nos últimos anos, grandes empresas vieram à Bolsa e conquistaram espaço", acrescenta. Foram os casos das ações da própria BM&FBovespa, no índice desde setembro de 2008, e da MMX, incluídas em setembro passado. Segundo a estrategista da corretora Ativa, Mônica Araújo, a chegada de empresas já consolidadas em seus nichos, como Redecard e VisaNet, favoreceu a redistribuição das participações.
Ações de empresas tradicionais, como Petrobrás e Vale, ainda são o acesso natural ao mercado. "Mas grandes empresas muitas vezes já estão com o preço ajustado, gerando pouca oportunidade de ganho. O investidor tem percebido que em ações de segunda e terceira linha o potencial pode ser maior", diz Manuel Lois, diretor da corretora Spinelli. "Ele aceita um risco maior para alcançar essa rentabilidade", diz Mônica, da Ativa.
Foi o que fez o administrador Dom In Kim. "Comprei papéis mais atraentes, como LLX, Abyara e Rossi, que tinham caído 90%", afirma.
LEVANTAMENTO CARTEZYAN
No mês de Outubro, 1411 ativos foram negociados na Bovespa. Somente 325 estiveram presentes em todos os 21 pregões, sendo que um número semelhante (364) foi negociado somente em um dos dias do mês! Exemplo: SPRINGER (SPRI6) só negociou no dia 23/10, e teve apenas R$ 371,00 de volume!
Considerando apenas o mercado à vista lote padrão, foram 486 papéis, com 259 presentes em todos os pregões; no mercado à vista, todos os papéis apareceram em pelo menos 6 pregões.
Análise Técnica
